11.30.2007

conversa 455

[com uma amiga com quem joguei a meias no euromilhões, enquanto nos dirigimos para o carro dela no parque de estacionamento do fórum Aveiro]

Ela - Quem é que fica com o talão do jogo?
Eu - Podes ficar tu. Eu confio em ti.
Ela - Não queres tirar uma cópia?
Eu - Não. Para quê?
Ela - Para veres se acertarmos. Normalmente esqueço-me dessas coisas.
Eu - Vês quando quiseres. não há pressa...

(ao chegar ao carro)
Ela - O que é que fazemos se acertarmos?
Eu – Dividimos o prémio ao meio, evidentemente.
Ela (procurando nos bolsos) - olha, acho que perdi a chip coin.
Eu - Perdeste o quê?
Ela - A moedinha que serve de talão para pagar o estacionamento.
Eu - Olha, afinal não confio em ti. Dá-me o talão do euromilhões, por favor. Logo à noite já não sabes onde é que puseste isso.
Ela - Ok... é melhor, é.
Ela (procura na carteira) - Olha... também não encontro o euromilhões. Se calhar deixei-o no café.
Eu - Deixa estar que eu vou lá num instante.

(passado um minuto, no café, com a empregada)
Eu - Olhe, desculpe lá, não ficou uma chip coin e um talão do euromilhões naquela mesa?
Ela - Sim, na cadeira. E também um bilhete de identidade, alguns cartões multibanco e um relógio...
Eu (só em pensamento) - Foda-se!

greve

Qual é a semelhança entre um dia de greve dos funcionários públicos e um dia numa relação entre dois gajos que já não se podem ver? É que em ambos se mente com exagero. Na greve da função pública, uns dizem que todos fizeram greve, outros dizem que ninguém fez greve. Chega-se a um ponto em já ninguém acredita em ninguém. Acho que é por esse motivo que, às vezes, também as relações entram em greve...

11.29.2007

pensamentos catatónicos (113)

Acho mesmo que há mulheres com um espírito competitivo entre elas. Às vezes, uma mulher que não nos liga nada quando nós queremos, passa a ser obsessiva quando nós já não queremos. Não é a primeira nem a segunda vez que tenho esta sensação desagradável na minha vida. Não gosto de me sentir um prémio nem sequer um objecto de caça. O sentimento de tristeza, eu percebo-o e aceito-o. Já o tive tantas vezes. O sentimento de derrota, nem por isso.

crónicas da cidade que sopra | um dia de cada vez

Hoje, no Diário de Aveiro, foi publicada mais uma crónica da cidade que sopra.

...até as árvores e os edifícios se acariciam uns aos outros, com as sombras que se movem lentamente embaladas pelo movimento do Sol. Ela não, já não se lembra do que é uma carícia. É melhor ir vivendo sem pensar muito nisso. Um dia de cada vez.

conversa 454

Ela - Se pudesses escolher uma mulher qualquer no mundo para passares o próximo fim de semana, quem é que escolhias?
Eu - Hum... talvez a Cristina Kirchner...
Ela - Quem é essa?
Eu - A presidente da Argentina.
Ela - Ah! Porquê?
Eu - É gira e vive do outro lado do Atlântico, onde tem uma vidinha bem boa. Acho que não me ia chatear mais a seguir ao fim de semana, com perguntas de retórica.
Ela - Eu acho é que ela nem sequer vinha passar o fim de semana contigo.
Eu - Isso então era ouro sobre azul.
Ela - Agora a sério... se pudesses escolher uma possível...
Eu - Uma que me trouxesse uma garrafa de não sei quê mouet.
Ela - Que é isso?
Eu - É um champagne qualquer.
Ela - Gostas de champagne?
Eu - Não. Gosto das mulheres que gostam desse champagne.

conversa 453

Ela - Tens a casa demasiado limpinha para um homem.
Eu - Tens uma linha de pensamento demasiado machista para uma mulher.
Ela - Porquê?
Eu - Porque sim. Nem sei se é machista ou feminista ou outra coisa qualquer acabada em "ista", mas é mau.
Ela - Porquê?
Eu - Ou achas que um gajo não deve limpar a casa, o que é mau, ou achas que um gajo não é capaz de limpar a casa, o que é pior.
Ela - Não acho nada disso.
Eu - Pronto, então está bem.

11.28.2007

conversa 452

Ela - Os teus olhos são...
Eu - São o quê?
Ela - São...
Eu - São o quê?
Ela - Sei lá. São esquisitos. Um é maior que o outro.
Eu (só em pensamento) - Foda-se!

conversa 451

[com a empregada de balcão, quando fui tomar café há bocadinho]

Ela - Olha quem é... tenho pensado em si.
Eu - Olá. Pensado em mim, porquê? Saí daqui alguma vez sem pagar?
Ela - Não, porquê? Costuma fazer isso?
Eu - Costumar não costumo. Só uma ou duas vezes por mês.
(risos)
Ela - Não é isso. É que comecei a beber café da mesma maneira que o senhor e gosto muito.
Eu - Com canela?
Ela - Sim...
Eu - Eu só bebo assim aqui e no café do meu trabalho.
Ela - Mas é muito bom. Até já tenho mais clientes a fazer o mesmo.
Eu - Só se pode pôr um bocadinho, senão fica intragável.
Ela - Pois, eu sei. E gostava de o convidar para jantar comigo no sábado. Se puder...
Eu - Poder até posso... mas eu passo aqui na sexta e combinamos. Pode ser?
Ela - Pode...

oh malhão malhão, que vida é a tua?

E para acabar com os posts sobre o concerto, no Estarrejazz 07, dos Sotckholm Lisboa Project, deixo aqui um video que fiz do encore. Desculpem lá o som e a imagem mas a minha máquina é uma Nikon Coolpix L10. Não faz milagres...

11.27.2007

conversa 450

Ela - O gajo deve pensar que fazer o jantar todos os dias não dá trabalho nenhum.
Eu - Tem calma...
Ela - Telefona-me do empreguinho que tem e diz-me para fazer bacalhau para compensar o jantar de ontem...
Eu - Tem calma...
Ela - Eu é que faço as camas, eu é que arrumo a casa, eu é que aspiro e tiro o pó, eu é que faço tudo...
Eu - Tem calma...
Ela - Tá bem que só ele é que trabalha. Eu estou desempregada, mas dizer-me que não gostou do jantar ontem, pá...
Eu - Tem calma...
Ela - É uma falta de respeito, no mínimo.
Eu - Tens razão mas tem calma. O que é que fizeste ontem ao jantar?
Ela - Raia com batatas...
Eu - Ah! pois...
Ela - O que é que foi?
Eu - Nada, nada...

conversa 449

Ela (apontando para o ecrã) - Deste um erro nesta palavra.
Eu - Ena.... pois dei. Li-a montes de vezes e não reparei.
Ela - Não é o único neste texto.
Eu - Dou-te um beijo por cada um que encontrares.
Ela - Então vou ver se encontro muitos.

11.26.2007

mohammed, já prá casota...

Tenho um cão chamado Mohammed. Hoje veio aqui urinar para perto das minhas plantas e dei-lhe um pontapé nos tomates e o gajo foi a ganir ali pró canto. Agora está ali a latir e a chatear os vizinhos. Ainda por cima estou chateado como o caraças: descobri que uma professora britânica, no Sudão, deu o mesmo nome do meu cão a um ursinho de peluche. Grande lata... Aaaaaaaiiiiiiii.... Mohammed, já prá casota!

só para lembrar você, minha queridaaaa...

Logo a partir das 22:14, no Clandestino bar, é o Couscous Prosjekt que aquece a noite com música do mundo.

sabores

1] De manhã esmaguei duas bananas e juntei o sumo duma laranja. Foi o meu pequeno-almoço, e comi à janela da cozinha enquanto via a vizinha da frente a aproveitar uma réstia de Sol para secar a roupa.

2] Ao almoço grelhei um pimento verde com sal, juntei duas fatias de presunto cortadas aos pedaço pequeninos e fiz tortellinni de espinafres. Foi o meu almoço e comi na sala enquanto ouvia a voz da Liana no cd "Sol", dos Stockholm Lisboa Project.

3] Tomei café ao balcão. A empregada do café cumprimentou-me com um "olá, está tudo bem? é um café, não é?". Respondi que sim com a cabeça e sorri-lhe.

4] A meio da tarde bebi uma caneca de leite com (muito) chocolate. Foi o meu lanche, e depois peguei numa colher para comer também o chocolate que tinha ficado no fundo da chávena.

5] Agora vou tomar mais um café e comprar qualquer coisa para o jantar. Acabei de reparar que ainda não falei com ninguém hoje. Felizmente não vou jantar sozinho.

xadrez 11

cala-te palhaço

José Sócrates diz-se campeão das políticas sociais. Eu, mal li isto, fui ali à minha varanda gritar, com um cachecol do Partido Socialista: "campeõoooooooooes, campeõooooooooooes, eóoooooo, eóooooooooo, campeõoooooooooes", mas ninguém me ligou nadinha. Este país é uma vergonha: o gajo é campeão e ninguém festeja. Ainda por cima, uma mulher que estava a dar à luz ali nas traseiras duma ambulância, virou-se para mim e gritou "cala-te ó palhaço". Parvalhona a gaja, mas também, o que é que se pode esperar duma tipa que decide dar à luz no meio da rua? Não compreendo as mulheres...

conversa 448

Ela - Queres o meu telemóvel?
Eu - Sim...
Ela - Não posso dar-te, mas se quiseres digo-te o meu número para me telefonares quando quiseres.
Eu - Oh pá... que piada tão gasta.
Ela - Dizem-ta muitas vezes?
Eu - Nem por isso.
Ela - Então não está assim tão gasta.

conversa 447

(por telefone)

Ela - Olá
Eu - Então? Passa-se alguma coisa?
Ela - Era só para saber se estás bem. Já não te vejo há tanto tempo...
Eu - Agora assustaste-me.
Ela - Porquê?
Eu - Porque já passa das cinco da manhã. Vi o teu nome no ecrã e pensei que tinha acontecido alguma coisa.
Ela - Pois. Hoje telefonei-te três vezes e tu não atendeste. Não sei porquê mas acho que foi de propósito.
Eu - Achas bem... hoje à tarde não atendi telefonema nenhum. Não me apeteceu.
Ela - Então posso telefonar-te quando me apetecer. Se não quiseres não precisas de atender.
Eu (só em pensamento) - Foda-se!

respostas a perguntas inexistentes (18)

Mãos. Deram as mãos para fugir. Estavam em pânico e confiaram um no outro sem se conhecerem muito bem. Por causa do suor, durante a fuga, as mãos começaram a deslizar uma na outra e apertaram-nas com mais força.
Mãos. A mão dela era mais pequena e ele chegou a ter medo de a aleijar. A mão dele era maior e ela chegou a ter medo de não a conseguir agarrar.
Mãos. O perigo passou e ambos pararam na sombra dum carro abandonado. Precisavam descansar. O carro não tinha rodas e não passava, no fundo, de uma sucata à espera do último suspiro da morte, mas o rádio ainda funcionava. Ele ouviu uma música, ela outra.
Mãos. Deixaram-se estar deitados até ao fim das músicas, mantendo sempre as mãos dadas. Foi só aí que perceberam que tinham fugido da solidão.

11.25.2007

porque hoje é domingo...

E porque hoje é domingo e dia de futebol, não é oportuno falar da notícia do público sobre as quase oito mil mulheres vítimas de violência doméstica, nos primeiros nove meses deste ano, em Portugal. É domingo e é melhor não chatear ninguém com estas secas. Eu percebo. Não digo mais nada.