11.19.2007

pensamentos catatónicos (110)

Quando eu era puto havia um livro na estante da sala que se chamava "O livro dos Porquês, 500 perguntas e 500 respostas". Era o livro que eu ia buscar quando já estava cansado de fazer legos ou bribcar com a garagem de quatro andares que uma vez me ofereceram no Natal. Não havia computadores, muito menos internet, e por isso aquele livro era uma espécie de zeloso guardião do saber do mundo. Quinhentas perguntas, ainda por cima com quinhentas respostas, parecia-me tanto.
Agora lembro-me frequentemente desse livro. No últimos anos da minha vida gostava de ter tido, na minha estante, 500 respostas fáceis a 500 perguntas difíceis. Uma obra com o título "O livro das relações, 500 perguntas e 500 respostas". Hoje, depois de ter feito legos, ia lá ver se encontrava a pergunta: "Porque é que, de vez em quando, há uma mulher a ocupar 99% do pensamento do homem?"
Provavelmente a resposta seria qualquer coisa como "Porque tens que ocupar 1% com as contas da água, do gás e da luz" ou, às tantas, nem vinha no livro.

11.18.2007

Leslie Hall, a doida da licra dourada



Eu não faço comentários sobre esta mulher.

conversa 442

[na Pizza Hut]

Ela - Deseja alguma coisa?
Eu - Sim. Paz e felicidade.
Ela (ri-se) - Isso não tenho. Mas posso desejar-lhe bom Natal.
Eu - Ok... já serve... por hoje.

conversa 441

[no msn]

Ela - Alteraste o teu perfil no Hi5 para comprometido, não alteraste?
Eu - Sim.
Ela - Porquê? Posso saber?
Eu - Apeteceu-me.
Ela - Não sei se foi só isso.
Eu - Eu também não sei se foi só isso.
Ela - Quem é a felizarda?
Eu - Tens-me visto com alguém? Acho que não...
Ela - Pois não. Nem sequer te tenho visto.

11.17.2007

divorciado fashion



A moda é muito importante para mim. Já me perguntei se um dia não vou ter problemas por, com 36 anos, ainda me vestir exactamente como quando tinha 16. As únicas camisas que tenho foram compradas pela minha ex-mulher, e ainda estão no mesmo sítio onde ela as deixou. Gravata... só usei uma vez, quando me casei, durante uns quinze minutos e depois tirei-a.
Nem sequer é verdade que não ligo nada à roupa. Ligo sim. Só visto camisolas, de preferência sem um único botão (detesto botões), e calças de ganga ou uma coisa parecida com ganga cujo nome não me lembro agora. Também não gosto muito de t-shirts com frases e bonecos, embora uma vez por outra abra uma excepção. Por exemplo, gostava de ter uma t-shirt com a frase "este divorciado contém aloé vera" mas não tenho.

11.16.2007

óculos de sol

Desde pequenino que sonho ter uma namorada parecida com a Natércia Barreto. Uma mulher que usa uns óculos de sol para chorar sem ninguém ver, para ocultar o seu sofrer e cujo sofrer é ver um gajo deitado à beira-mar com outra ao lado, epá... só pode ser boa mulher. E tenho dito. Nunca consegui...




Já arranjei muito bem / Tudo quanto convém / P’ra praia levar

O pente, o espelho, o baton / E o creme muito bom / P’ra me bronzear
Tenho o meu rádio portátil / E o bikini encarnado / Também está no meu rol
E como é bom de ver / Não podia esquecer / Os meus óculos de sol

Que levo p’ra chorar uuuuhuh / uuuuhuh Sem ninguém ver /
P’ra não dar uuuuhuh
/ A perceber /
P’ra ocultar uuuuhuh / O meu sofrer

Pois eu sei que te hei-de encontrar / Talvez deitado à beira-mar / Com outra lado
E eu vou passar / A tarde a chorar

Já pensei não sair / Mas aonde é que eu hei-de ir / Com este calor?
O que é que eu hei-de fazer / P’ra não ter que te ver / Com o teu novo amor?
Ver-te-ei com certeza / Mas eu peço à tristeza / Um pouco de controle
E pelo sim pelo não / Eu vou ter sempre à mão os meus óculos de sol

baixar ficeiro wma

a cidade que sopra

A crónica da cidade que sopra, descobri agora, publicada habitualmente na quinta-feira de cada semana no Diário de Aveiro, foi desta vez publicada apenas hoje.

conversa 440

Ela - Tinha uma coisa muito importante para te dizer mas esqueci-me.
Eu - Então é porque não era assim tão importante.
Ela - Era, era...
Eu - Tens dez minutos para te lembrares. Depois tenho mesmo que ir embora.
Ela - Não faz mal. Digo-te na segunda-feira. Até lá lembro-me.
Eu (só em pensamento) - Foda-se!

conversa 439

[por msn]

Ela - Quando for a Aveiro não importo de ficar no teu sofá mas prefiro ficar na tua cama.
Eu - Sim, ficas na minha cama.
Ela - Estava a brincar mas...
Eu - Não... podes ficar à vontade. Fico eu no sofá.
Ela - lol
Eu - lol

é só mais uma noite de novembro.

É só mais uma noite de Novembro. A lâmpada apagada da sala permite que a dos candeeiros públicos da rua rasguem, numa das paredes, as aguarelas negras da noite. São rasgos intermitentes e um deles beija-lhe o pescoço. É um beijo de luz tão suave que ela nem acorda. Talvez o beijo do príncipe à Branca de Neve tenha sido um beijo de luz parecido, penso. Depois afogo o pensamento em mais um gole de uísque. Não presta. O pensamento é que não presta, o uísque é bom. Ela também, e se a beijasse agora tinha que ser com saliva. Talvez a luz se apagasse como a chama duma vela. Talvez ficasse a conhecer mais um pouco sobre ela. Talvez depois a pintasse nua numa tela. Ela, ela, ela, ela.

É só mais uma noite de novembro, pá. O telefone dela vibra no chão, mesmo ao pé das botas que ainda suam. E suam bem, cheiram bem, tudo bem. É o nome dum gajo qualquer que aparece no ecrã. Desligo-o. Espero que para sempre. Enfio-o numa bota. É verdade, lembro-me: ela tem os pés descalços. Massajo-os devagar. Muito devagar. Tão devagar que ela geme sem acordar. Eu também. Já estava acordado, aliás. A intermitência do candeeiro público acabou, talvez por vergonha. Agora é a luz da lua que vem espreitar e destapa-lhe a camisola. Só um bocadinho, de forma a ver-se o umbigo. Lambo-o. Ela geme outra vez, mas desta vez agarra-me a cabeça com as duas mãos e empurra-a. Deve ser assim que os anjos nos empurram para o céu quando morremos, acho. Deixamos a vida toda para trás.

É só mais uma noite de novembro. Ela ainda dorme. Ou dormita, pelo menos. As calças mal despidas não a deixam abrir totalmente as pernas. Tem que ser com os dedos. Levanto a cabeça. O telemóvel torna a vibrar. Ela também e eu também. Devagar. Depois vem-se, solta um suspiro como se cuspisse um balão gástrico. Os anjos perdem as asas. Deixam-me cair. O telemóvel cala-se. Espero que para sempre.

É só mais uma noite de novembro. É possível ter saudades de quem não se conhece?


11.15.2007

Allgarve só com um L


O Financial Times publicou este mapa de Portugal nas suas páginas, no passado dia 13 de Outubro. É uma vergonha. Nem sabem escrever Allgarve.

les biches


No Centro Multimeios de Espinho está patente uma exposição, assinada por Lauro António, chamada Cinema e Censura em Portugal. Vale a pena ver. Fica-se, por exemplo, a conhecer a nota do tipo que censurou o filme As Rivais (Les Biches) do Claude Chabrol, em Portugal no ano de 1968.

Reprovamos o filme fundamentalmente porque trata de um tema altamente imoral (homossexualidade feminina) de uma maneira demasiado realista e além disso o filme não apresenta qualquer elemento positivo, nomeadamente quanto à eventual recuperação das viciadas.

copas

Não consigo encontrar ponta de interesse na moda. Não consigo deixar de pensar que os estilistas e os manequins não servem asolutamente para nada. Talvez até seja um defeito meu, mas é assim.
É por isso que quando vejo um mulher bonita como a Bárbara Guimarães, depois de participar numa sessão fotográfica vestida de Rainha de Copas, no 15º aniversário da Disneyland Resort Paris, dizer "gosto sempre destas oportunidades em que interpreto diferentes personagens e posso viver a minha teatralidade. A versão reinventada pelo Tenente leva esta rainha para um universo mágico e glamoroso", não consigo deixar de me sentir decepcionado. Será que quando a Barbie e o Ken dormem juntos, dizem coisas mais interessantes?

11.14.2007

conversa 438

Ela - Pai, achas que a Maddie morreu?
Eu - Quem?
Ela - A Maddie, aquela menina que estava de férias no Algarve. Também me pode acontecer a mim, não pode?
Eu - Não, filha. Aquilo foi uma história inventada pelos jornais e pela televisão. Ninguém fez mal a menina nenhuma.
Ela (passado alguns minutos) - Pai, a televisão mente?
Eu - Mente muitas vezes, filha. Mais vezes do que tu imaginas.
Ela - E as pessoas vêem na mesma?
Eu - Filha, a televisão mente precisamente para as pessoas continuarem a vê-la.
Ela - Não percebo nada.
Eu - Olha... nem eu.

respostas a perguntas inexistentes (16)

O baloiço oscila ao vento.
Eu costumava jogar futebol com os pacotes de leite vazios que sobravam do lanche da escola. Uma vez, por engano, chutei um que ainda estava cheio e sujei as calças. Deu-me para chorar, e aos outros para rir. Ela deu-me a mão e levou-me para a sombra das únicas duas árvores que viviam ali, e nem soube o quão longe elas estavam dos que riam. Ou então soube, e o bem que me fez. Depois passámos a dar as mãos todos os dias. Porque éramos crianças nunca houve sexo. Deve ser por isso que ainda a amo, e também porque nunca mais a vi, e por isso, ao contrário de todos os outros, ela nunca cresceu.
O baloiço oscila ao vento.
Depois os que riam passaram a chamar-nos namorados. Às vezes atiravam-nos uma pedra que nunca acertava e fugiam. Começámos a sair da escola durante o intervalo grande, que era de trinta minutos, acho eu, e desfrutávamos o facto de àquela hora o baloiço do parque estar sempre livre. Às vezes a meia hora passava a uma, ou mais, até que a professora chamou os nossos pais por mau comportamento. O que é que eu andava a fazer com a Helena, perguntou-me a minha mãe à noite. Andamos de baloiço, respondi.
E o baloiço oscila ao vento.

[escrito em 25 de julho de 2005]

crónicas da cidade que sopra | nuvens de fumo

Amanhã, no Diário de Aveiro, nuvens de fumo.

No horizonte misturam-se os fumos das fábricas de celulose e dos incêndios fora de época, numa aguarela negra vertida com violência sobre o céu azul. É como se a cidade esperasse uma morte que tarda em chegar. Esse é só um dos motivos pelos quais um homem ainda está na cama à hora do almoço. O outro é que fingiu estar a dormir quando a companheira saiu de manhã para ir trabalhar, evitando mais um beijo cansativo, mais um "até logo querida" automático, mais um suspiro depois dela bater com a porta. Fingiu-se cansado e agiu como se ela fosse transparente. Depois perdeu a vontade de enfrentar o dia.

cinco balas contra a américa

Fui desafiado pelo mais que aveirense Pedro Neves, do Aveiro Sempre, a dizer aqui que livro ando a ler. Comecei na segunda-feira o Cinco Balas Contra a América, de Jorge Araújo e Pedro Sousa Pereira.

Só dispunham de um revólver, apenas cinco balas, estavam em período de racionamento, de contenção, havia instruções precisas quanto à sua utilização. As munições só deveriam ser utilizadas em último caso, em caso de defesa contra um ataque do inimigo imperialista norte-americano.


Agora é suposto desafiar mais três: Sylvia, Nélson Peralta e Luis Pestana

25 vantagens de pertencer ao clube dos divorciados

1] Vamos ao frigorífico e comemos queijo ralado directamente do pacote.
2] Estamos quinze dias seguidos sem ligar a televisão.
3] Saímos de casa às duas da manhã para ir beber um copo com um amigo.
4] Ouvimos músicas da Sally Nyolo quase no máximo.
5] Vamos ao frigorífico e bebemos Ice Tea directamente do pacote.
6] Não fazemos a cama logo de manhã e, às vezes, nem a chegamos a fazer.
7] Descascamos uma banana e deixamos a casca em cima da banca da cozinha até ao dia seguinte.
8] Ficamos a ler ou a conversar na internet, no quarto, com a luz acesa, até às tantas da manhã.
9] Deitamo-nos no sofá da sala com os sapatos sujos em cima e só nos descalçamos um quarto de hora depois.
10] Abrimos uma garrafa de Cabriz branco fresquinha e acabamos com ela enquanto vemos um filme em DVD.
11] Vamos à praia com uma amiga ver estrelas à noite.
12] Vamos ao armário e comemos chocolate em pó directamente da embalagem.
13] Compramos três bolas de berlim a apanhamos uma overdose de açúcar, em casa, que depois curamos com um copo de uísque.
14] Jogamos Civilization IV até às seis da manhã.
15] Dizemos a uma amiga que gostamos muito dela e esperamos que ela faça o mesmo.
16] Deixamos a nossa filha montar uma casa dentro da sala, com lençóis, cobertores e seis cadeiras. Depois vamos lá para dentro jantar com ela.
17] Misturamos uísque com red bull, porque uma amiga nos disse que vale a pena, e a seguir ouvimos os mp3 todos dum gajo que se chama manel das nespras.
18] Andamos três semanas com o mesmo par de calças.
19] Compramos uma caixa de bombons mon cherry e acabamos com ela enquanto vemos, sentados na nossa varanda, as moscas a orbitarem o candeeiro público mais próximo.
20] Estamos deitados com uma amiga na cama, a noite toda, a conversar, e só fazemos intervalos para ir à casa de banho ou fazer um chá.
21] Colamos cartazes e fotografias na parede da cozinha de todo o tipo menos da Shakira.
22] Não nos importamos que as cortinas brancas da sala já não sejam, de facto, brancas.
23] Pomos lâmpadas às cores em alguns compartimentos da sala. Às vezes azuis, outras vezes amarelas, outras até vermelhas.
24] Deixamos secar em cima da mesa da sala um ramo de flores que nos ofereceram.
25] Vamos ao frigorífico e comemos marmelada directamente da embalagem.

11.13.2007

reunião

Acabei de ser convocado para uma reunião de vampiros no messenger, a propósito do RPG que ando a jogar, lol. A vampira mor, primeira dama do clã, convocou-me com urgência, a propósito da manutenção gráfica da mansão...

conversa 437

(na esplanada do Fórum Aveiro entre um casalinho a almoçar hambúrgueres do Mac Donalds)

Ela - Não era um cheeseburguer que eu queria.
Ele - Mas é sempre esse que comes. Que é que queres?
Ela - No carro disse-te que queria um Big Mac.
Ele - Esqueci-me. Dizes-me as merdas enquanto estou a estacionar.
Ela - Tu é que já nem me ouves.
Ele - Come lá essa merda e não me chateies. Mariquinhas!
Ela - Vou buscar um Big mac e comer noutra mesa. (levanta-se)
Ela - Vê lá se não me chateias. (afasta-se)
Ele - Olha! dá-me a chave do carro, então.
Ela - Vai pró caralho.
Ele - Depois pagas tu o estacionamento?
Ela (entra no MAc Donalds)
Ele (tugindo) - Foda-se!