9.30.2007

para aliviar a pressão duma noite de domingo

1] No blog oficial dos couscous prosjekt já é possível ouvir um set de cerca de vinte e sete minutos, para quem tiver curiosidade...
2] Descobri que tenho um pequeno problema: não suporto stresses pessoais e, quando os detecto ao longe, ponho-me logo a andar.
3] Gosto de hipopótamos. Só hoje é que me apercebi que são bichos engraçados.
4] Num restaurante onde vou às vezes jantar, em Espinho, há uma empregada que faz questão de ser ela a atender-me. Hoje ouvi uma colega dela a dizer: "olha, está ali o teu cliente". Ganhei o dia.
5] Não vou dizer o resultado do Beira-Mar este fim de semana. Faz de conta que nem sei.
6] O meu blog antigo está vazio. Vou aproveitá-lo para falar só da música que eu gosto. Apetece-me.
7] A Nana deixa no meu Hi5 comentários que eu não gosto, mas que gosto que deixe. Nem sei porquê. Percebem?

conversa 395

Ela - Já te conheço tão bem.
Eu - Não sei se conheces...
Ela - Conheço, conheço.
Eu - Olha que não.
Ela - Conheço, conheço.
Eu - Conheces um bocadinho mas não me conheces assim tão bem.
Ela - Conheço,conheço.
Eu - Vá, não me irrites.
Ela - Vês? Até já te sei irritar facilmente.
Eu (só em pensamento) - Foda-se!

dfgke r hbvr

Está a amanhecer. São sete e tal e eu estou a chegar duma noite na discoteca africana aveirese Axê Moi. Só me cabe dizer o seguinte:

1] As mulheres de Cabo Verde são bonitas.
2] As mulheres da Guiné são bonitas.
3] As mulheres de Cabo Verde e da Guiné não têm complicómetro.
4] Hoje apetecia-me viver num país qualquer africano.
5] O índice ivariano sobe para 16
6] Estou apaixonado por uma portuguesa mas a minha vida era mais simples se estivesse apaixonado por uma caboverdiana.
7] Isto parecem pensamentos simplistas. E são mesmo.
8] Vou dormir. Fiquem bem.

9.29.2007

conversa 394

Ela – Nem sequer faz sentido falar em esquerda e direita hoje em dia, percebes? O que interessa é ter bons gestores e uma economia saudável. O resto é mais do mesmo e o discurso é igual nos partidos de esquerda e de direita.
Eu – O resto é o quê? O modelo social?
Ela – Claro.
Eu – Começa por aí a diferença. Eu nunca chamaria resto ao modelo social que defendo. Até podia chamar resto ao administrador da Galp, mas não ao modelo social.
Ela - O modelo social que tu defendes ia transformar Portugal ia mais uma Albânia.
Eu – Olhe que não, olhe que não, olhe que não...
Ela – Sabes que em Cuba nem um restaurante privado se pode abrir? Achas que isso permite a um país justiça social? Que permite a realização pessoal de cada indivíduo?
Eu – Mas eu defendo a iniciativa privada tal como tu, percebes? Só que a iniciativa privada tem que ser apenas em alguns sectores e não em todos. Não posso concordar com a iniciativa privada em sectores no abastecimento de água, electricidade, na educação ou na saúde. Isso claro que não.
Ela – E quem é que paga depois isso?
Eu – Já ouviste falar em impostos?
Ela – Os impostos não chegam. Está mais que provado.
Eu – A mim ninguém me provou coisa nenhuma. Nem me importo de pagar mais impostos do que pago desde que esses sectores fundamentais daquilo a que tu chamas resto, e eu modelo social, sejam de acesso gratuito a todos.
Ela – Mas as coisas têm um custo, e tudo o que tem um custo tem que se pagar, pá.
Eu – Mas os impostos pagam isso. É o que te estou a dizer. Tem que ser assim. Ou tu concordas que um gajo, só por não ter dinheiro, deva ficar à porta dum hospital? Concordas com isso?
Ela – Concordo que esse gajo falhou na vida e devia ter feito mais por ele acima. A sociedade tem que ser assim: competitiva. Senão o país afunda-se e nós todos com ele.
Eu – Opá... nunca conseguiria dividir um apartamento contigo... a sério.
Ela – Nem eu contigo. Aí estamos de acordo.

uma frase tipicamente masculina...

Esta semana, Paula Nogueira, a quem agradeço, descreveu assim este blogue no Diário de Aveiro:

Não compreendo as mulheres é uma frase tipicamente masculina e que dá título a este blogue de Ivar Corceiro. Marcadamente masculino, mas não machista, o autor reproduz alguns episódios das suas experiências com o sexo feminino, sob a forma de diálogos ou relato de pequenos episódios, mas aborda também outros assuntos do seu quotidiano e da actualidade.
Um blogue interessante para ambos os sexos que, à sua maneira, podem ajudar o autor a compreender melhor as mulheres.

beijar uma mulher que fuma é como lamber um cinzeiro

As eleições no PSD deram, infelizmente, a vitória ao Menezes. Digo infelizmente porque a vitória do Marquito seria também, a breve prazo, o fim do partido. O Marques Mendes não é um gajo mediático, não é um gajo com potencial político nenhum, e ao escolher Macário Correia para seu porta-voz revelou isso mesmo. Nunca mais me esqueci do slogan que Macário escolheu para combater o tabagismo: beijar uma mulher que fuma é como lamber um cinzeiro. Eu não sei, nunca lambi cinzeiros, mas se me dessem a escolher entre as duas hipóteses, não hesitaria em escolher a mulher que fuma. A não ser, claro, que ela fosse do PSD.

conversa 393

Ela – Onde é que vais depois disto?
Eu – Vou para casa.
Ela – Queres que vá contigo?
Eu – Não. Hoje é melhor não, está bem?
Ela – Não é para...
Eu – Eu sei... e gosto de estar contigo só por estar... mas hoje preciso ficar sozinho, está bem?
Ela – Está bem. Mas estás fixe?
Eu – Estou.
Ela – Telefona-me a meio da noite se quiseres. Eu levanto-me e vou ter contigo.
Eu – Não vai ser preciso, mas obrigado por existires.
Ela – Gosto de ti, sabes?
Eu – Também gosto de ti. Até chego a ter pena de não... sei lá... de não estar totalmente apaixonado por ti.
Ela – Pois... é recíproco.

9.28.2007

uma dúzia de coisas boas

lista de coisas boas no meu dia de hoje:

1] Ouvi repetidamente o rainin in paradize, do último disco do manu Chao.
2] Bebi um café Buondi com muita espuma.
3] A menina do café é bonita e foi extraordinariamente simpática comigo.
4] Mudei de cuecas.
5] Mudei a pilha do telecomando da minha garagem.
6] Mudei de t-shirt.
7] Bebi um fino Super Bock com muita espuma e comi tremoços.
8] Sacudi o tapete do meu automóvel e encontrei uma moeda de dois euros.
9] Ela disse-me que tem saudades minhas.
10] Ajudei uma vizinha a carregar as compras até ao terceiro andar, porque no prédio dela o elavdor está avariado, e depois fomos tomar café.
11] Senti o cheiro do meu gel de banho Nike que me ofereceram há uns tempos.
12] Dei uma lanterna pequenina, que trazia no bolso, a uma criança que estava à minha frente na fila do supermercado, e ela disse-me adeus quando a mãe a levou ao colo. Depois fui comprar outra.

conversa 392

(dois adolescentes, hoje, no comboio urbano, sentido porto-aveiro, quando a composição parou em Ovar)

Ele1 - Aqui em Ovar há gajas muito boas.
Ele2 - Iá man. Temos que vir aí no domingo.
Ele1 - Em Estarreja também há gajas boas, mas em Estarreja são difíceis.
Ele2 - Iá, tás a ver? Vimos aqui e trazemos o Joca. Ele é que engata as gajas e nós comemoseas
Ele1 - Boa!
Ele2 - Se ele não vier, vamos ao shopping. Agora tem aqui um shopping.
Ele1 - Pois... e lá deve ter gajas.

a casa do divorciado depois dum jantar cool


mesa da sala: garrafa de Catedral Dão, dois copos de vinho, canecas de chá do fim da noite e uma taça de gelado de noz.


banca da cozinha: louça por lavar e travessa vazia.

há coisas fantásticas, não há?

Gosto de mulheres, é verdade, e quando digo que gosto de mulheres é no sentido mais amplo da coisa. Quando digo que gosto de mulheres não estou, definitivamente, a dizer que me apetece dar uma queca em cada uma que passa por mim na rua. Estou só a dizer que, se não existissem mulheres, a minha vida era dispensável. Gosto de todas as mulheres: das amigas, das avós, das mães, das filhas, das primas, das irmãs, das amantes, das transeuntes, das vendedoras de fruta ou peixe, das modelos de fotografia, das netfriends, das colegas de escola ou de trabalho. Gosto de mulheres. Ponto final.

Tudo isto tem uma desvantagem: as mulheres têm mais capacidade de me desiludir do que os homens. Se um homem amigo faz qualquer merda que eu não gosto, isso não me costuma chatear muito. Nem me costuma chatear não falar com um gajo qualquer durante, se for preciso, a vida toda. Aliás, neste momento, amigos homens mesmo a sério, tenho três, e nenhum deles vive em Aveiro. Com as mulheres é diferente, a todos os níveis, e é claro que algumas vezes a noite termina duma forma mais intensa quando se sai com uma mulher do que quando se sai com um homem. É normal que seja assim entre heterossexuais.

Gostar muito de mulheres não quer dizer que se goste de todas as amigas da mesma maneira. Há aquelas por quem nutrimos grande amizade, aquelas por quem temos uma amizade assim assim, aquelas por quem nutrimos paixão e amizade, aquelas por quem praticamente só sentimos paixão, aquelas que por quem temos apenas alguma simpatia. É assim e é normal que assim seja.

Eu não sei, neste momento da minha vida, qual é o meu futuro com as mulheres. Sei que não existe a mulher da minha vida e que não chega apenas encontrá-la por aí como numa história de príncipes. Sei que uma relação a dois é também uma construção e que, para essa construção ser sólida, tem que partir duma mulher por quem sinta amizade e paixão. Isso não chega, claro. Tenho que sentir um grau de compatibilidade razoável e tenho que sentir que ela sente o mesmo por mim. A partir do dia em que isso me acontecer, seja amanhã ou daqui a um ano, levarei a coisa a sério e serei de certeza monogâmico. Agora, naturalmente, não sou.

Em qualquer encontro casual que me aconteça, quando sinto que não passa disso mesmo, costumo pôr tudo em pratos limpos logo no princípio. Às vezes ando meses sem que nada me aconteça, e começo a ter vontade de trepar o edifício da segurança social de Aveiro, outras vezes parece que acontece tudo ao mesmo tempo. Nas últimas semanas aconteceu-me três vezes ligar-me intimamente a mulheres, por coincidência todas leitoras deste blog. Admito que me senti posteriormente desiludido com todos os casos. Não por causa de alguma instabilidade emocional que tenha surgido, até porque se há gajo que já andou emocionalmente instável por causa de mulheres sou eu, mas porque os efeitos colaterais baseiam-se sempre num princípio que não aceito: “tu comeste-me e agora não me ligas nada”. Ora bem, devo ser eu que tenho a mania de que a igualdade entre sexos é para levar a sério, e que quando um homem está com uma mulher é porque ela também está com ele. A culpa, se existe, é sempre de ambos. A essa culpa, no entanto, prefiro chamar responsabilidade.

De resto, como já disse, quando eu sentir que posso e devo ter uma relação vou mesmo ter, se conseguir. Neste momento anseio-a e até existe com quem gostasse de o tentar, mas para já não está ser possível. De qualquer maneira, não é por a ansear que o vou fazer com uma mulher qualquer (este qualquer não é no mau sentido). Agora, enquanto andar assim, livre como um passarinho, sei lá... há coisas fantásticas, não há?

9.27.2007

imagens dum divorciado à solta na sua casa antes de fazer xixi e ir prá caminha...


frigorífico: polpa de tomate, vinho para cozinhar, manteiga, uma refeição pré-cozinhada, algumas cervejas, compotas e mel e sopa para a semana


despensa: escadote e tábua de passar a ferro pendurados na porta, uma garrafitas de vinho, aspirador, cabos de áudio e vídeo num cesto de verga e mais umas cenas


entrada/corredor: televisão dos anos cinquenta (não funciona), dois rádios antigos (um funciona), máquina de costura antiga, máquina fotográfica antiga e uma caixa com moedas antigas. Tudo recordações de familiares.


armário no quarto da minha filha: brinquedos vários.


canto da sala: planta que uma amiga que já foi importante na minha minha vida, mas agora não me liga puto, me deu. Ainda uma mini-hi fi e uma televisão avariada.


vista da sanita: banco com livro e moleskine, patinhos amarelos na banheira.


parede da cozinha: flor que a minha ex-mulher me deu.


entrada: tartaruga sobre o intercomunicador.


cama: t-shirts em repouso até eu ganhar coragem para as lavar.


sala: quadro pintado pela minha amiga Carla Bandarra.


quarto da minha filha: casa de bonecas oferecida por uns tios, de que agora me fala todos os dias pelo telefone: - "oh pai! se quiseres brincar com a minha casinha não há problema!"


cozinha: madeira rasca a fingir que é mármore, máquina de café, chaleira eléctrica, facas, fruta e o comando da porta da garagem.

9.26.2007

conversa 391

Ela - Sabes qual é o teu problema?
Eu - Qual?
Ela - Com essa roupa pareces um puto dos skates...
Eu - Isso é verdade... mas não é o meu problema. O meu problema é outro.
Ela - Qual?
Eu - É ter que pagar a conta da água este mês.

partia kobiet

1] Na Polónia há um partido de mulheres. Eu, apesar de não compreender as mulheres, votaria sem dúvida nelas. Principalmente porque prefiro votar em quem não compreendo do que em gajos que compreendo que são mais mentirosos que o Pinóquio, que é o caso da maioria dos políticos portugueses...
O Partia Kobiet tem agora uma campanha adorável, onde algumas das suas políticas se exibem sem roupa, e que faz qualquer português roer-se de inveja. Já imaginaram se algum dia, no nosso país, por exemplo o Marques Mendes se decide a fazer o mesmo? Estou a imaginar... o Marques, o Alberto João Jardim, o Pacheco Pereira, o Menezes e o Arlindo Marques Cunha a segurarem, nus, num cartaz. Ui! eu cá ficava de baixa em casa...

2] Um senador colombiano quer multar em cerca de 3 mil euros e obrigar a trabalhos forçados quem for apanhado a cometer adultério. Eu cá acho bem. Dá mais valor ao próprio adultério em si, isto é, se uma gaja ou um gajo trai o parceiro habitual é porque vale mesmo a pena. Acredito que vai levantar a moral de todos os que forem assediados por homens ou mulheres casados. Notícia aqui.

3] Hum... sabiam que agora, se não forem a Madeleine McCann, podem ser notícia no jornal? Com esta técnica não há-de faltar material para fazer jornalismo interessante. Imaginem: "Homem fotografado na China não é Jerónimo de Sousa", "mulher fotografada no parque Eduardo VII não é Paulo Portas", etc, etc...

conversa 390

Ela - Tu não estás a ser justo comigo.
Eu - Pois não. Nem justo nem injusto. Não estou a ser nada.
Ela - Pois...
Eu - Pois...
Ela - E vais ser alguma coisa?
Eu - Gostava de ser engolidor de espadas mas tenho medo de me cortar.

crónicas da cidade que sopra | pequenos luxos e uma cerveja

Amanhã, no Diário de Aveiro:

Hugo fecha os olhos durante a última passa, antes de esmagar a beata com os dedos, num cinzeiro sonolento onde se estendem os cadáveres de todos os cigarros que fumou nos últimos dias. Talvez passe demasiado tempo ali, fechado naquele escritório de paredes brancas e, assim de repente, é como se aquelas beatas tivessem morrido contorcidas de dor, num longo e tortuoso exercício.

pac man

Terça-feira, 25 de setembro de 2007, fui vítima de bombardeamento. Acho que me posso considerar como tal, pelo menos, já que mantive conversas relativamente àsperas com três mulheres em simultâneo sobre a mesma temática. Hum... hum... definitivamente não compreendo as mulheres, e tenho a mania estúpida de ser sincero demasiado cedo (demasiado cedo é mesmo antes da caminha). Acho que tenho que alterar os meus timings.

Pode não ter muito a ver, mas o PAC MAN irrita-me de caralho, sempre a comer aquelas bolas todas com um som por trás capaz de me fazer puxar os cabelos. Quando me sinto assim... pressionado, lembro-me dele... coitado.

conversa 389

(com um tipo no clandestino bar que eu nunca tinha visto mais gordo, na última noite em que o couscous prosjekt passou música)

Ele - Gosto de vocês como se fossem da minha família.
Eu - Pois.
Ele - A sério, estás a duvidar?
Eu - Não, não... acredito.
Ele - Gosto de ti e da tua amiga como se fossem da minha família...
Eu - Epá... está bem. Agora deixa-me em paz.

9.25.2007

cartaz

conversa 388

(num cartório)
Ela - Boa tarde.
Eu - Boa tarde. Preciso fazer uma escritura de partilha mas quero primeiro fazer um orçamento.
Ela - Partilha de quê?
Eu - Duma casa.
Ela - É por divórcio e está hipotecada ao banco?
Eu - Sim. Aliás, tenho que fazer esta escritura para depois poder fazer outra de transferência de crédito.
Ela - Tem ai o valor em dívida, o valor calculado e o registo predial?
Eu - Sim...
Ela - O divórcio foi por mútuo consentimento?
Eu - Sim...
Ela (olhando a papelada) - Fica entre 800 e 900 euros. Tem que trazer uma certidão de divórcio e uma certidão predial dois dias antes, assim como os dados da sua ex-mulher.
Eu - Que dados?
Ela - Morada actual, bilhete de identidade e número de contribuinte.

(noutro cartório)
Eu - Boa tarde. Preciso fazer, porque me divorciei, a escritura de partilha duma casa. Quero fazer um orçamento antes...
Ela - Não fazemos orçamentos.
Eu - Não?
Ela -Não. Tem que vir cá dois ou três dias antes com a documentação toda. Nós depois telefonamos para fazer a escritura e, quando estiver feita, paga. Só aí é que sabemos quanto fica.
Eu - Ok... então vou a outro cartório. Boa tarde e, já agora, feliz Natal. Não a devo ver antes.