Mostrar mensagens com a etiqueta diversos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta diversos. Mostrar todas as mensagens

3.05.2013

não desisto

São dez da manhã e estou à espera de ser atendido no Centro de Emprego. Não faço a mínima ideia que só vou sair dali às quatro e vinte da tarde, depois de uma longa e inesperada espera. Hoje foi este o meu dia.
Tenho na mão uma capa com toda a papelada que acumulei desde que caí nas malhas do desemprego, incluindo todo o processo que vou levar a tribunal, mais o primeiro volume de 1Q84, do Haruki  Murakami, que a minha namorada me ofereceu. Nunca agradeci tanto um presente, acho eu.
Já li, aliás, cerca de cem páginas do livro quando o meu estômago começa a dar os primeiros sinais de apetite. Tenho a senha B091 e vai na B034. É uma da tarde. Passo em revista quase todas as caras das pessoas que se amontoam naquele espaço exíguo, algumas em pé, outras sentadas. Há alguns sorrisos que me parecem esforçados, há ausência na maior parte dos rostos e, para piorar, sinais de evidente derrota em alguns deles.
O homem ao meu lado, por exemplo, que deve ter uma idade a rondar os sessenta anos, está ferido num olho e sua tristeza por todo o corpo. Tira um bocado de pão do bolso esquerdo e come-o em pequenos pedaços, sem mais nada, escondendo-o dos demais. Não é por medo que lho roubem. É, parece-me, para preservar alguma eventual réstia de dignidade que ainda tenha.
Algumas vozes, ainda que contidas, protestam com as funcionárias que vão chamando lentamente os utentes. Chamam-lhes preguiçosas das mais diversas maneiras mas, em abono da verdade, acho injusto. Não vi nenhuma parada. Sei por experiência própria que alguns processos são bastante demorados. Não deixa é de ser curioso que, onde há tantos desempregados à espera de vez, não empreguem mais ninguém para atender. Rio-me, para dentro, do meu próprio país. Tenho pena de o fazer.
Sinto um toque no joelho. É uma criança que olha, babada, para o chocolate que entretanto abri. Parto uma porção generosa para lhe dar, mas primeiro procuro a autorização no olhar da mãe, que está algumas cadeiras ao meu lado. Ela abana ombros, consentindo com vergonha. A criança agradece, sem saber que eu é que lhe agradeço ainda mais. A mãe tem uns olhos tão bonitos que parecem um oásis naquele deserto de emoções. São negros, e fico com a sensação de que é impossível adivinhar o que está por trás deles. Apaixono-me por dois minutos. Valeu a pena o chocolate. A criança afasta-se.
Fixo os olhos no chão, como que para fugir dali por uns momentos, apesar da noção de que é impossível esconder-me. Fixo uns sapatos cujas solas estão quase todas descoladas. Parecem bocas abertas e, como tal, gritam em silêncio. É o que eu estou a fazer, a gritar em silêncio. A pobreza é pornográfica e está ali, à vista de todos sem chocar ninguém. É chocante.
Não desisto, penso. Chegou a minha vez de ser atendido. Chegará a nossa vez de viver.

12.26.2012

outra pessoa acampada na nossa cabeça

O jornal Público traz hoje uma dissecação do Amor, feita pela antropóloga Helen Fischer. O Amor é uma intrusão, diz ela, explicando que "um grupo de neurónios localizados no mesencéfalo começa a produzir dopamina que se espalha a muitas partes do cérebro e nos dá aquela focalização, energia, possessividade, desejo, obsessão e motivação para ir ter com a pessoa". A intrusão dá-se porque, a a partir do momento que isto acontece, a outra pessoa está acampada na nossa cabeça.
Talvez a maior parte das pessoas não simpatize muita com esta fria interpretação científica do que é o calor do Amor, mas a própria Helen passa da sua observação cientifica para uma sua interpretação pessoal, pois também ela sabe o que é estar apaixonada. Dos processos químicos resulta que a outra pessoa acampa na nossa cabeça. Pois é.

12.02.2012

a Luna apareceu!

partilhas no facebook
A nossa Luna apareceu hoje perto de casa, magra e suja mas de boa saúde. Demorou exactamente uma semana a fazer os cerca de dois quilómetros que separam o sítio de onde desapareceu até ao seu lar. Suponho, portanto, que foi dar uma grande volta. Não imagino por onde ela terá andado, o que terá passado, mas tenho a certeza que fez um esforço enorme para encontrar o caminho de volta.
Agora, com mais calma, sei que não vou conseguir a todos os que nos ajudaram, a mim e à Raquel, nesta questão, mas vou tentar. Colámos mais de duzentos cartazes pelo Porto e por Matosinhos (chegámos a oferecer recompensa), cada vez que eu punha um anúncio no meu facebook as partilhas eram imediatas e atingiam milhares, recebi centenas de emails de leitores deste blogue e perdi a conta às chamadas telefónicas de todo o género e feitio. Eu, a pé, fiz uma média de doze horas por dia, perdendo conta aos quilómetros que percorri.
Por isso obrigado a todas as pessoas com quem falei na rua, a todos os que me telefonaram a dar pistas; a todos os que partilharam e participaram em buscas mesmo sem eu saber; ao encontra-me.org e ao sítio dos cães; aos meus incansáveis camaradas do Bloco de Esquerda de Aveiro, que me tiraram todo o trabalho das mãos para eu poder procurá-la; à Sara do Porto, que me mostrou todos os sítios mais recônditos entre a Lapa, a Cedofeita e o Palácio de Cristal; à Fernanda de Matosinhos, que perdeu uma tarde inteira comigo a andar a pé dum lado para o outro; à senhora que vende farturas nas Sete Bicas, que foi falando com os seus clientes sobre o caso; às senhoras que distribuem comida aos animais na Fonte do Cuco; aos senhores que apanham o lixo na zona da Senhora da Hora.
Por fim, também, à Raquel, por nunca perder a esperança.
Agora vou andar mais duas ou três tardes a arrancar os cartazes que coloquei. Acabou.

p.s.: eu sei que faltam aqui muitos agradecimentos, mas é mesmo impossível referir todos.

11.30.2012

não desisto!



Esta semana não fiz muito mais do que procurar a Luna, a minha cadela que desapareceu no passado dia 25. A pé, já percorri uns cinquenta quilómetros ou mais. Na verdade perdi a conta. São cerca de doze horas a caminhar todos os dias, embora ontem e hoje não tenha conseguido manter o ritmo dos primeiros dias.
Já conheci várias pessoas que, admito, me revelaram um mundo novo: o daqueles que fazem tudo o que podem por um animal. A S., por exemplo, que encontrei numa das ruas do Porto exactamente à procura da minha cadela, e que me reconheceu pelo canto do olho. Mais ainda, hoje parei para beber umas cervejas num café perto da estação de metro do Viso, onde deixei um cartaz, e os donos prometeram fazer uma busca na zona de Custóias. São apenas exemplos duma solidariedade que eu desconhecia.
A Luna tem cinco cachorros em casa, que serão entregues aos donos prometidos em breve. Têm sido tratados da melhor forma possível por mãos humanas, as minhas e as da Raquel. Vou fazer todos os possíveis para que passem alguns dias com a mãe.
Este post é só para dizer obrigado a toda essa gente, incluindo aqueles a quem não consegui responder nem cheguei a conhecer. Obrigado. Eu não desisto!

11.25.2012

urgente

A Luna, a minha cadela, assustou-se hoje com uma mulher que passou por ela. Penso que deve ter apanhado bastante dos donos anteriores porque tem pânico de tudo o que é pau, vassoura ou guarda-chuva. Escapou-se à própria trela e fugiu. Foi perto da estação da Senhora da Hora, em Matosinhos e eu estou um bocado desesperado porque ela tem cinco filhotes em casa à espera dela.
Se alguém a vir, agradeço que me telefone, por favor. O meu telefone é o 934168870. 

11.02.2012

não estamos sós

Estou desempregado, mas decidi levantar-me todos os dias de manhã e fazer um horário de trabalho regular, mais ou menos entre as nove e as cinco ou seis da tarde. Passo os dias a escrever e a trabalhar em alguns projectos que quero desenvolver, entre eles o adormecer.pt
Levanto-me, tomo os comprimidos para a tensão, faço um pequeno-almoço de iogurte natural com cereais, sento-me à mesa da sala e ligo o computador. Para além do trabalho, pouco mais faço do que actualizar este blogue e ir, uma ou outra vez, ao facebook.
Tento também gastar o mínimo de dinheiro possível. Para além do pequeno-almoço, tento fazer em casa refeições equilibradas e baratas, leio livros que vou buscar à biblioteca, tomo banhos rápidos e evito ao máximo usar o automóvel. Às vezes, por uma questão de saúde mental, vou tomar café ou beber uma cerveja, e são esses os meus luxos.
Na verdade, acho que consigo manter esta regularidade porque não estou sozinho nisto. Tudo o que faço tem uma repercussão imediata na Raquel, a quem mostro e conto tudo o que estou a tentar fazer. Não me sinto isolado do mundo e, como ela é honesta comigo em todas as opiniões que dá, seja para dizer mal ou bem, vou tendo uma janela para o que aí vem.
Além disso, na minha família tenho um irmão e duas irmãs que me estão a ajudar no adormecer.pt, com ilustrações e traduções que só pagarei quando tiver dinheiro, provavelmente depois de transformar isto numa editora infantil a sério, que é um objectivo desde o início e que está lentamente a ganhar forma.
Não me sinto sozinho, e isso é o mais importante. Ontem, por exemplo, um dos meus melhores amigos apareceu-me em casa com uma garrafa de vinho e uma chouriça para assar, o que deu direito a uma conversa de cerca de três horas.
Há bocado tirei dez minutos para me encostar ao vidro da janela. Lá em baixo, do outro lado da rua, um homem de bengala tinha os sapatos com os atacadores desapertados e não conseguia baixar-se para os apertar. Era velho, e aquilo estava a prejudicar-lhe tanto a mobilidade que ficou parado no meio do passeio sem saber muito bem o que fazer. O vento não facilitava, como se estivesse a soprar propositadamente na sua direcção. Desci a escadas a correr, atravessei a rua e apertei-lhe os atacadores.
Não estamos sós.

10.23.2012

a amizade canina

Nunca tinha percebido bem a expressão "amizade canina", até há pouco tempo a Raquel nos ter obrigado a adoptar uma cadela no canil do Porto que, aliás, já vos apresentei aqui. Admito a minha insensibilidade para esta questão até à minha própria experiência, portanto.
Essa sensibilidade ganhei-a entretanto, e desde que conheci a Luna que tenho reparado mais nos cães abandonados que passam por mim na rua. Trazem às costas isso mesmo, uma enorme sensação de abandono. Ainda ontem, pelas ruas de Aveiro, fui seguido durante quilómetros por um rafeiro a quem acabei por dar duas asas de frango assadas com algum arroz branco.
A diferença entre um cão abandonado e um homem abandonado não é quase nenhuma, e resume-se ao comportamento social das espécies. Um homem abandonado sai sozinho e senta-se ao balcão dum bar qualquer, à espera de conseguir dar dois dedos de conversa aqui e ali. Um cão abandonado segue-nos pelas ruas, normalmente com fome.
A Luna, a minha cadela, foi abandonada. A ex-dona entregou-a no canil sem explicação e, quando lá entrámos, foi a única que não se chegou à frente para receber festas. Talvez por isso, aliás, a tenhamos escolhido. Entretanto descobrimos a razão do seu comportamento: estava prenha.
Neste momento, em vez de uma cadela, temos seis. Nasceram cinco cãezinhos há cerca de uma semana. Na fotografia, da esquerda para a direita, apresento-vos a Mel, a Preta, a Branca, o Castanho e o Caracol. A Mel e o Caracol (na pontas) já têm dono. A Preta, a Branca e o Castanho ainda não. Não estão para entrega imediata, pois os primeiros dois meses têm que ser vividos na companhia da mãe. No entanto, se algum dos leitores quiser um destes cães, mande-me um email para bagacoamarelo@gmail.com ou deixe aqui um comentário. Tem que se comprometer a não o abandonar e lá para o princípio de Dezembro tornamos a falar...

7.27.2012

quarenta e um

Sou relativamente novo. Já fui relativamente velho.
Quando me separei tinha quase trinta e seis anos e passei, durante algum tempo, a olhar para o meu passado. Hoje faço quarenta e um anos e ando a olhar para o meu presente, piscando o olho aqui e ali ao meu futuro.
Obrigado Raquel.

5.29.2012

por todos nós...

Por uma vez serei mais do que sério. Por mim, pela minha filha, por este país, por todos os que por aqui passam. Enfim, pela liberdade. Passo a transcrever uma mensagem do senhor João Penha-Lopes, pai desta menina agredida brutalmente pela PSP. Por uma vez também, peço que ninguém fique indiferente.

Esta é a minha filha.....QUE FOI BRUTALMENTE AGREDIDA PELA PSP !! Claro que foi aberto de imediato um processo crime e ela foi hoje vista por um médico do Ministério Público que ficou literalmente aterrado com o que viu, não só em todo o corpo como na mente (pois ela agora não consegue olhar de frente para um agente da PSP nem andar de comboio), e solicitou a entrega de um TAC à garganta que mandámos fazer, numa clínica privada, pois na ida ao Hospital S.Francisco Xavier, imediatamente após a agressão, não tinham equipamento para ver os tecidos moles do pescoço onde os punhos fechados de um dos agentes fizeram pressão, estando ela contra uma parede. O TAC acusou os danos. Estava a viajar num comboio de Lisboa para a área de residência e saiu na estação perto de casa onde estavam 10 agentes que se juntaram aos 3 que vinham no comboio e onde tiveram problemas com um grupo de jovens que saíram duas estações antes dela. Ela até vinha a dormitar. Saiu na sua estação e um conhecido que vinha com ela começou a ser de imediato agredido pelos agentes na gare. Quando ela gritou a pedir para pararem de bater no jovem foi imobilizada e arrastada pela estação. Foi atirada de cabeça contra as cancelas de passagem dos passageiros tendo caído. O agente que a agrediu levantou-a pelos cabelos e arrastou-a pelos braços para dentro da esquadra localizada nas imediações da estação, onde a levou para uma área vazia, a atirou contra uma parede e lhe espremeu o pescoço com os punhos fechados. Não foi feito qualquer auto. Ela conseguiu telefonar-nos do telemóvel a pedir socorro porque foi espancada e estrangulada. O agente a quem ela passou o telefone disse não saber o que se passava ou o que o colega tinha feito (com a minha filha a gritar em background que era ele que a tinha espancado) mas que ela seria de imediato libertada pois não havia qualquer problema com ela. Vamos amanhã a uma consulta da APAV para receber acompanhamento e formação sobre segurança pois parece provável que hajam retaliações segundo nos foi comunicado por diferentes entidades, o que nos obriga a ter cuidados redobrados.... E agora ? Que devemos fazer ? Aceitam-se sugestões...

facebook de João Penha Lopes

5.21.2012

os adeptos de futebol

Os adeptos de futebol são muito parecidos com as testemunhas de Jeová ou com os operadores de telemarketing, isto é, são uns chatos. Na verdade, eu até acho que são os mais chatos e palermas de todos. As testemunhas de Jeová chateiam-nos porque nos querem salvar a alma, os operadores de telemarketing querem vender-nos robôs de cozinha porque têm que ganhar a vida, os adeptos de futebol é porque gostam de um clube de futebol.
Não há nada mais egoísta do que passar a noite a buzinar um penduricalho qualquer só porque uma equipa qualquer ganhou um jogo. Pior, enchem as redes sociais na internet com fotografias e frases baratas, centram a discussão pública na porcaria dum fora-de-jogo que não foi e devia ter sido, alimentam uma indústria milionária que não produz nadinha.
A má notícia para os adeptos de futebol é que só é assim porque o futebol é fácil, e quem não consegue discutir mais nada porque não chega lá, acaba mesmo a pensar no que é mais fácil e não tem interesse nenhum:  o futebol. Estava tudo bem, desde que não chateassem mais ninguém.
A Rita é uma amiga minha que, a mim não me engana ela, sabe tão pouco do que passa no futebol como eu. Provavelmente sabe os resultados dos jogos porque o marido dela lhos diz. Mais nada. Mesmo assim mandou-me uma dessas frases feitas, com uma imagem azul por trás, a dizer que Ama o Futebol Clube do Porto. Não faltava mais nada do que agora virem dizer que Amam um clube qualquer, que normalmente até já nem é um clube mas sim uma Sociedade Anónima Desportiva, da qual fazem parte vários accionistas que só pensam no valor das suas acções.
Mas percebi. Finalmente percebi. Quem acha que pode Amar um clubezeco qualquer é porque anda mesmo alheado da vida. Tão alheado que nunca se apercebeu do que quer dizer a palavra Amor. Por mim podem continuar assim mas, por favor, não me chateiem.

3.22.2012

a marca salazar

Parecia-me que as mulheres davam muita importância a elas mesmas. Enquanto género, quero eu dizer. Não pessoalmente, que isso era lá com cada uma delas. Passei a minha infância e a minha juventude a ouvir que o que eu precisava era arranjar uma boa mulher. Era assim que eu podia expulsar da minha vida todos os males. Foram sempre mulheres a dizê-lo, nunca homens. A minha avó, que já não está entre nós, a minha mãe, uma das minhas tias e as amigas da minha mãe. Até aquela caladinha, que passava os dias a fazer carapins coloridos, um dia me desejou essa sorte. "Talvez um dia encontre uma boa mulher", disse. A minha mãe concordou abanando afirmativamente a cabeça.
Não percebia porque é que os homens, que eram supostamente quem precisava delas, nunca me aconselhavam o mesmo. Nem o meu pai, nem o meu avô, nem o meu tio, nem os amigos do meu pai. Nunca nenhum me disse que o que eu precisava era duma boa mulher. Um dos meus tios perguntava-me, às vezes, como é que eu estava de gajas, mas eu abanava sempre os ombros para lhe demonstrar que o tema nem sequer me interessava. Mais nada, nunca me deu nenhum conselho.
Precisei de crescer para perceber o que era uma boa mulher para as gerações anteriores à minha. Era uma mulher que soubesse cozinhar, lavar a roupa, passar a ferro e limpar/arrumar a casa. Já tinha desconfiado, na verdade, mas só com a idade é que tirei tudo a limpo. O Amor era uma mera formalidade entre as famílias portuguesas, para que cada homem pudesse arranjar uma boa mulher, ou seja, era pobre. Não o chegava a ser. 
Dali, dum tempo que não era o meu, era o que vinha. Um país onde o Amor era todos os dias atirado para a valeta em nome da união entre um homem qualquer e uma boa mulher. E antes de qualquer outra formação política, passou a ser essa a minha marca Salazar.

11.25.2011

Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher

Hoje é o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher, e não me lembro de nenhuma maneira melhor de o celebrar do que dizendo à Raquel que a Amo. Só.

11.17.2011

só um desabafo

Há uma imensa pequenez na grandeza de tudo o que achamos grande. Na literatura e na música, por exemplo, onde sempre que alguém me pergunta se eu já li ou ouvi uma merda qualquer de que nunca ouvi falar na minha vida, apetece-me responder-lhe que não faz ideia da quantidade de coisas que há para ler e ouvir. Seria uma coincidência enorme eu ter lido ou ouvido exactamente essa merdice por que me perguntam. Ou coincidência, ou então uma cedência desgastante às montras das livrarias e discotecas que me irritam por serem sempre iguais umas às outras.
A imensa grandeza do que já fizemos ou deixámos de fazer só tem lugar no Amor, onde por isso nunca perguntamos a ninguém se já Amou este ou aquele. Talvez fosse interessante viver num mundo assim, com o João a perguntar-me se eu já Amei alguma vez a Clara de Sousa ou a Paula Moura Pinheiro e eu pudesse responder: "A Clara de Sousa está na minha mesa de cabeceira, à espera que eu acabe de Amar a Uma Thurman, mas da Paula Moura Pinheiro nem ouvi falar". Mas não vivemos. O Amor é tão mais grande quanto mais pequeno for, para que possa ser só nosso.
E ainda bem que o Amor é pequeno. Só assim é que pode caber num automóvel estacionado num lugar ermo a meio da noite, numa cama de solteiro onde já estão duas pessoas ou num elevador que avariou e ainda espera pelo técnico. Ainda bem que é tão pequeno que é capaz de se infiltrar nesses lugares em forma de beijo ou sexo, e é nessa gratificante pequenez que tentamos aconchegar a nossa vida o maior espaço de tempo possível. Ainda bem que o grande cabe no pequeno ou o maior no menor.
Vi hoje duas pessoas enxovalharem outra em público, tratando-a como ignorante porque ela ainda não tinha lido um livro qualquer daqueles "obrigatórios". A ignorância está, digo eu na minha imensa pequenez, em não perceber que o mundo é demasiado grande para que um só livro possa ser obrigatório, e que o Amor é demasiado grande para que um enxovalhamento público possa ter lugar. E é só um desabafo...

11.02.2011

a distância mínima de segurança


Contra tudo o que eu próprio esperaria de mim mesmo, adoptei um gato esta semana.
Quando chegou a casa escondeu-se imediatamente no primeiro buraco que encontrou, mais propriamente debaixo do armário da cozinha. Quando me baixei para o espreitar ele ainda se chegou mais para trás, como se eu fosse uma ameaça à sua vida. Por isso deixei-o estar e fui deitar-me no sofá onde acabei por adormecer. Acordei umas duas horas depois com as cócegas que ele me fazia enquanto me cheirava o nariz. Assustou-se e deu alguns passos para trás, mantendo uma distância mínima de segurança de cerca de dois metros.
É essa a distância que o Aníbal (chama-se assim por causa duma votação que fiz no meu Facebook) gosta de manter de quem ainda não conhece muito bem, não vá ter alguma surpresa desagradável. Fiquei ali a dormitar no sofá e a pensar nisso, como se tivesse percebido o quão parecido ele é com algumas mulheres que conheci. Mantém essa distância de segurança e arranha quem a invade, a não ser que decida gostar desse alguém...

9.19.2011

worten sempre... ou quase sempre.


Se não fosse a mania que as mulheres têm de cuscar tudo até ao fim, ontem tinha sido bem enganado na compra de um lcd Samsung na Worten do Norte Shopping. Ir às compras com uma mulher pode ser uma seca, sim, mas também pode ser muito útil. A história aqui.

9.01.2011

10 coisas que já fiz por estar na crise dos quarenta

1] Passei a comprar champô contra a queda do cabelo.
2] Deixei de comprar lâminas de barbear das mais baratas, para não ficar com a cara toda arranhada quando faço a barba.
3] Deitei a minha querida t-shirt do Calvin, que estava rota em vários sítios, no lixo.
4] Usei, pela primeira vez na vida, um perfume para homem daqueles caros em vez duma água de colónia baratucha do Lidl.
5] Aparei os pêlos do nariz e as sobrancelhas.
6] Passei a cortar as unhas com um corta-unhas em vez de as roer no escurinho do cinema.
7] Comprei um frasco de hidratante para a pele.
8] Passei a comer mais gelatina por causa do colagénio.
9] Inscrevi-me na natação e prometi a mim mesmo fazer pelo menos uma sessão por semana.
10] Iniciei um registo semanal com o meu peso e perímetro abdominal. Bem... para ser sincero ainda não iniciei mas estou a contar fazê-lo a partir da próxima semana.

7.21.2011

amanhã será outro dia...

Estou num dia mau por motivos políticos. Na verdade sinto-me triste e desiludido. Amanhã será outro dia...

6.10.2011

verão azul

Sempre que vou a Madrid, mesmo antes de apanhar o avião, lembro-me da série Verão Azul. Este fim de semana, muito provavelmente, não virei aqui, mas se houver oportunidade até venho. Bom fim de semana para vocês!

5.13.2011

Sic, música e desenhos

O blogger anda a funcionar mal. Para além de não me ter deixado actualizar o blogue, apagou-me duas conversas e uma série de comentários. Aproveito, no entanto, este momento de paz para colocar aqui algumas datas importantes para os próximos tempos. Importantes para mim, claro, não para o mundo.

16 de Maio 2011 || presença no programa Boa Tarde, SIC canal, apresentado por Conceição Lino, para falar de "erros no primeiro encontro". Algures entre as 16:00 e as 17:00.

19 de Maio 2011 || dj Bagaço Amarelo e dj Moa Bird no Clandestino, Aveiro, Portugal a partir das 23:00

17 de Maio a 04 de Junho de 2011 || desenhos Bagaçólicos - exposição de desenhos do Bagaço Amarelo no Mercado Negro, em Aveiro.

1.23.2011

olhos nos olhos

Hoje estive a ver, pacientemente, todas as imagens dos pouco mais de mil e quatrocentos seguidores deste blogue. Foi como se precisasse de ver a cara das pessoas que passam por aqui, e como se de Amor só se devesse falar olhos nos olhos.
E porque hoje é domingo e eu estou bem disposto, queria só agradecer-vos a Vossa presença e dizer-vos que são importantes para mim.